O Mercosul e o Japão deram início às negociações para um Acordo de Parceria Econômica (APE) que pode redesenhar o mapa do comércio entre a América do Sul e a Ásia. O anúncio foi feito durante a Cúpula do G7 em junho de 2026 e representou o amadurecimento de um diálogo iniciado com a assinatura do Marco de Parceria Estratégica entre as partes, em dezembro de 2025, além de duas rodadas técnicas realizadas em janeiro e março de 2026.
O lançamento oficial e definitivo das negociações ocorreu durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Caso seja concretizado, o acordo pode criar uma área econômica com Produto Interno Bruto combinado de aproximadamente US$ 7 trilhões e um mercado consumidor de cerca de 400 milhões de pessoas.
O Japão tem buscado diversificar seus parceiros comerciais diante das tensões tarifárias impostas pelos Estados Unidos e das restrições chinesas a exportações de terras raras, enquanto o Mercosul aposta na diversificação de mercados após a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, em maio de 2026, e avança paralelamente em negociações com Canadá, Índia, Vietnã e Panamá.
Ainda em fase inicial, as negociações já sinalizam setores que devem ser mais beneficiados:
- Agronegócio: carnes bovina e suína in natura estão entre os principais temas de interesse do Brasil, com potencial de abertura relevante do mercado japonês, historicamente protecionista nesse segmento. Produtos como café, milho, soja e derivados também devem ganhar condições de acesso mais favoráveis.
- Mineração e insumos industriais: o minério de ferro e o alumínio, que já são produtos centrais na pauta exportadora brasileira ao Japão, tendem a se beneficiar de regras mais previsíveis.
- Energia: a possível venda de petróleo brasileiro ao Japão já vem sendo discutida em paralelo às negociações, incluindo conversas entre o Itamaraty, a Petrobras e o Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês.
- Indústria automotiva, eletrônicos e bens de capital: do lado japonês, empresas automobilísticas e fabricantes de autopeças, eletrônicos e maquinário devem buscar condições mais competitivas de acesso ao mercado sul-americano.
- Investimentos e cadeias de valor: o acordo deve ir além do comércio de bens, abrangendo também investimentos diretos, cooperação tecnológica e, possivelmente, compras governamentais — ampliando oportunidades para setores como logística, infraestrutura e inovação.
As relações diplomáticas entre Brasil e Japão começaram em 1895, com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. Em 1908, o navio Kasato Maru trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao porto de Santos, dando início a um fluxo migratório que, ao longo de décadas, formou a maior comunidade nipodescendente fora do país asiático.
Hoje, o Japão figura entre os dez principais parceiros comerciais do Mercosul, e o intercâmbio bilateral com o Brasil girou em torno de US$ 11 bilhões em 2024, com superávit brasileiro. A pauta exportadora brasileira, no entanto, ainda é concentrada em commodities como minério de ferro, carnes de aves e café verde, que somaram 43% das vendas ao Japão naquele ano.
Já o Japão mantém investimentos diretos no Brasil que ultrapassam US$ 36 bilhões, distribuídos entre metalurgia, agronegócio, veículos e setor químico. É justamente essa concentração em poucos produtos que o novo acordo pretende endereçar, ao abrir espaço para diversificação da pauta e agregação de valor.
Acordos de parceria econômica desse porte não se traduzem automaticamente em resultado para as empresas. Eles abrem uma janela de oportunidade que precisa ser interpretada, planejada e executada com precisão técnica. Por isso, o papel estratégico de uma assessoria em comércio exterior, como a do Grupo Casco, é fundamental em áreas como:
- Inteligência de Mercado: Estudo de viabilidade técnica e tributária para garantir competitividade na exportação e importação.
- Conformidade e Regulação: Adequação aos padrões técnicos, sanitários e fitossanitários do Japão, que são fundamentais para o sucesso nas negociações.
- Gestão de Riscos: Mapeamento de gargalos logísticos e tributários, garantindo que a empresa aproveite integralmente as janelas de oportunidade abertas pelo novo acordo.
A expertise técnica da assessoria do Grupo Casco permite que gestores transformem a burocracia em vantagem competitiva, assegurando que a expansão para novos mercados seja feita com segurança, eficiência e foco em resultados de longo prazo. Fale com nossos especialistas.